De repente, aos 66 anos apareceram alguns sintomas estranhos. Procuramos uma sobrinha médica, pois sempre fugimos de doença. Apóa vários exames, resultados surpreendentes, fomos a vários especialistas.
A medicina é muito dividida e o paciente precisa recorrer a diversos médicos, fazer inúmeros exames e, finalmente, descobrir o diagnóstico.
Interessante no processo todo é verificar quem são os verdadeiros amigos, quais os mais solidários, como chega a ajuda sem parecer falsidade.
Dentro de nós ocorre uma verdadeira revolução: não se fazer de vítima, não provocar piedade no ambiente familiar, sofrer calada tentando entender nas entrelinhas as mais variadas explicações.
Surgem então, ¨colegas de doença¨, conselhos otimistas, ou pessimistas. Surpresa de velhos amigos: como você está magra? É regime ou está doente? Tenha paciência, Deus olhará por você.
Os segredos familiares, as conversas interrompidas quando você chega, a troca de olhares desconfiados, enfim, você virou o artista condenado à morte.
Sozinha começo a pensar na maneira mais fácil para reagir a tantas mudanças. Chorar é quase impossível, pois sempre fui às lágrimas nos filmes, nas festas familiares, mas quando se trata de mim, procuro ser forte e não chorar.
O companheiro de 45 anos ainda meio inseguro com a doença progressiva, não acredita na fragilidade da mulher que sempre se mostrou lutadora. Fica pensando no drama que ela deve estar fazendo. Não é nada demais, pensa. É só fazer regime!
A vida mudou, fiquei mais triste. Fatos que não me atingiram como as minhas lutas salariais na justiça, hoje me ferem profundamente. Coloco tudo nas mãos de Deus.
Aprendi, agora, a força da hereditariedade, o valor da amizade de pessoas queridas, a necessidade de ir ao médico, fazer exames, comer corretamente, praticar regularmente uma atividade física, fugir do álcool, da gordura, das massas, dos açúcares, e, principalmente, valorizar o dia de hoje, pois amanhã, possivelmente, não estaremos vivos!
Ainda me esforço para segui todas essas regras com alegria, sem sentir dor.