24/10/08
A dor ensina a gemer
De repente, aos 66 anos apareceram alguns sintomas estranhos. Procuramos uma sobrinha médica, pois sempre fugimos de doença. Apóa vários exames, resultados surpreendentes, fomos a vários especialistas.
A medicina é muito dividida e o paciente precisa recorrer a diversos médicos, fazer inúmeros exames e, finalmente, descobrir o diagnóstico.
Interessante no processo todo é verificar quem são os verdadeiros amigos, quais os mais solidários, como chega a ajuda sem parecer falsidade.
Dentro de nós ocorre uma verdadeira revolução: não se fazer de vítima, não provocar piedade no ambiente familiar, sofrer calada tentando entender nas entrelinhas as mais variadas explicações.
Surgem então, ¨colegas de doença¨, conselhos otimistas, ou pessimistas. Surpresa de velhos amigos: como você está magra? É regime ou está doente? Tenha paciência, Deus olhará por você.
Os segredos familiares, as conversas interrompidas quando você chega, a troca de olhares desconfiados, enfim, você virou o artista condenado à morte.
Sozinha começo a pensar na maneira mais fácil para reagir a tantas mudanças. Chorar é quase impossível, pois sempre fui às lágrimas nos filmes, nas festas familiares, mas quando se trata de mim, procuro ser forte e não chorar.
O companheiro de 45 anos ainda meio inseguro com a doença progressiva, não acredita na fragilidade da mulher que sempre se mostrou lutadora. Fica pensando no drama que ela deve estar fazendo. Não é nada demais, pensa. É só fazer regime!
A vida mudou, fiquei mais triste. Fatos que não me atingiram como as minhas lutas salariais na justiça, hoje me ferem profundamente. Coloco tudo nas mãos de Deus.
Aprendi, agora, a força da hereditariedade, o valor da amizade de pessoas queridas, a necessidade de ir ao médico, fazer exames, comer corretamente, praticar regularmente uma atividade física, fugir do álcool, da gordura, das massas, dos açúcares, e, principalmente, valorizar o dia de hoje, pois amanhã, possivelmente, não estaremos vivos!
Ainda me esforço para segui todas essas regras com alegria, sem sentir dor.
criado por alariromariz
5:00 — Arquivado em: 

Comentário por Aline — 24 de outubro de 2008 @ 6:04
Seus amigos somos nós,irmãos e filhos. Amo muito!!!
Comentário por Rose Marie — 24 de outubro de 2008 @ 8:34
Estou assutada. O que quer dizer isto? bj
Comentário por graça moreira — 24 de outubro de 2008 @ 9:37
“… serei capaz de enfrentar e crescer através de qualquer coisa que apareça no meu caminho.” (retirado do livro Coragem para Mudar)
Alari, voce não está sozinha, conte comigo a qualquer momento que você sentir necessidade de desabafar e não pense que é fraqueza ficar triste, fraqueza é não se deixar ficar triste.
Comentário por Ana Rúbia — 24 de outubro de 2008 @ 10:00
Mãezinha querida,
Sua vida linda, cheia de vitórias importantes, ficará ainda mais rica com o enfrentamento dessa questão. Há uma frase de uma autora francesa Anais Nim, da qual gosto muito: ” A vida se expande ou se encolhe de acordo com a nossa coragem”.
Todo o meu amor
Comentário por Vanessa — 24 de outubro de 2008 @ 10:06
Tia, você é uma mulher forte…Irá superar tudo.
bjos
Comentário por Milena Romariz — 24 de outubro de 2008 @ 13:25
Tia, desculpe invadir e ousar manifestar. Mas sua linda e admirável sinceridade tornou o impulso da expressão do sentimento inevitável. Penso que a dor, apesar de parecer só enfraquecer, enriquece também. E com certeza ensina a todos. Vê-la aberta e frágil, mesmo que essa fragilidade seja momentânea, talvez nos ensine e nos possibilite dar um pouco do que recebemos a vida inteira da mulher incrÃvel com quem convivemos. A força e a união da famÃlia, conquistadas e defendidas bravamente por vc, não foram e tampouco poderiam ser à toa. É nosso momento de demonstrar nosso amor e o poder da nossa união. Superaremos tudo isso juntos, tia. Não há dúvida. Não existe piedade, existe amor e cumplicidade.
Penso que o melhor não é esconder ou afastar, mas sim dividir. E que isso nao enfraquece, gera força! Mas o que importa é que seja qual for a força que vc escolher, seremos os primeiros a acolher. Nós a amamos muito! Eu a amo muito!
Comentário por Clarice Romariz — 27 de outubro de 2008 @ 13:12
Minha tia linda!!!! Nos de o direito de paparicar voce. Isso nao tem nada de pena, ate por que voce nao precisa, e AMOR, e muito. Levante esse astral! E pare de pensar em coisa ruim. A gente se adapta a viver de formas diferentes, e daqui a pouco tempo voce nem vai se lembrar do que realmenbte mudou na sua vida. So estou revoltada por que voce esta triste por que emagreceu e eu aqui me acabando e nao consigo. Fique tranquila e serena, que isso e so um momento ruim. Muita SAUDADE sua, voce nem imagina o quanto. Beijo enorme, Clarice